terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pais Apostólicos - Parte II - Inácio de Antioquia ( 30-35? – 107 ) – O portador de Deus


“...Deixem-me ser pasto das feras, pelas quais chegarei a Deus. Sou o trigo de Deus, moído pelos dentes das feras para tornar-me o pão duro de Cristo... Quando o mundo não puder mais ver  o meu corpo, serei verdadeiramente discípulo de Cristo.”  

   

“Estou começando a ser discípulo... o fogo e a cruz, multidões de feras, ossos quebrados (...) tudo eu hei de aceitar, contanto que eu alcance a Jesus Cristo.” 

  Inácio de Antioquia.


Por volta do ano 107, por motivos que desconhecemos, o ancião bispo de Antioquia, Inácio, foi acusado ante as autoridades e condenado a morrer por ter negado a adorar os deuses do império. Uma vez que nesses tempos celebravam grandes festas em Roma, em comemoração à vitória sobre os dácios (povo indo-europeu, conhecido por seus conquistadores), Inácio foi enviado à capital para que sua morte contribuísse com os espetáculos projetados. A caminho do martírio, Inácio escreveu sete cartas que constituem um dos mais valiosos documentos do cristianismo antigo, estas cartas nos dizem acerca do próprio Inácio, das circunstâncias do seu julgamento e sua morte e da forma em que ele mesmo interpretava o que estava acontecendo.

Inácio nasceu provavelmente por volta do ano 30 ou 35, e, portanto, já era ancião quando selou sua vida com o martírio.

Em suas cartas ele mesmo nos diz que leva o apelido de “Portador de Deus”, o qual é índice do respeito que gozava na comunidade cristã, este era considerado o segundo bispo de Antioquia, assumindo a chefia desta comunidade depois de Evódio.     

Mesmo sendo de Antioquia, seu nome, Ignacius, deriva-se do latim: igne: “fogo”, e natus: “nascido”. Conforme seu nome sugere, Inácio era um homem nascido do fogo, ardente, apaixonado por Cristo. Segundo Eusébio de Cesaréia, após a morte de Evódio, que teria sido o primeiro bispo de Antioquia, Inácio fora nomeado o segundo bispo dessa influente cidade.

Inácio escreveu algumas epístolas às comunidades cristãs asiáticas: à igreja de Éfeso, às igrejas de Magnésia, situada no Meander, à igreja de Trales, às igrejas de Filadélfia e Esmirna e, por fim, à igreja de Roma. O objetivo da carta a Roma era solicitar que os irmãos não impedissem seu martírio, o que aconteceria durante o reinado de Trajano (98-117).

Ao que parece, havia na igreja de Antioquia várias facções e algumas haviam chegado a tais extremos em sua doutrina que o bispo ancião tinha feito uma forte oposição a elas. É possível que sua acusação ante os tribunais tenha sido resultado dessas oposições. Inácio foi detido, julgado e condenado a morrer em Roma.

Nas paradas que fazia para descanso, escrevia à comunidades que o tinham recebido ou que lhe enviara representantes. Condenado em Roma durante o reinado (98-117) de Trajano (53-117) e, prestes a ser martirizado, a força de sua fé ficou demonstrada em uma Carta aos Romanos: “... Deixem-me ser pasto das feras, pelas quais chegarei a Deus. Sou o trigo de Deus, moído pelos dentes das feras para tornar-me o pão duro de Cristo... Quando o mundo não puder mais ver  o meu corpo, serei verdadeiramente discípulo de Cristo.”


A cidade de Antióquia foi fundada por volta do ano 300 a.C., por Seleuco I Nicátor (354-281 a.C.), general de Alexandre Magno (356-323 a.C.) e herdeiro da satrapia da Babilônia, com o nome de Antiokheia, ou seja, cidade de Antíoco, em homenagem a seu pai e general de Filipe II da Macedônia (382-336 a. C.), este pai de Alexandre, hoje chamada de Antakya, na Turquia. Tornou-se a capital do império selêucida e grande centro do Oriente helenístico. Conquistada pelos romanos (64 a.C.), conservou seu estatuto de cidade livre e foi a terceira cidade do império depois de Roma e Alexandria, chegando a abrigar 500 mil habitantes. Evangelizada pelos apóstolos Pedro, Paulo e Barnabé, tornou-se uma metrópole religiosa, sede de um patriarcado e centro de numerosas controvérsias, entre elas o arianismo, o monofisismo e nestorianismo.

Se pouco ou quase nada sabemos acerca do testemunho final de Inácio, temos amplos detalhes a cerca de seu amigo POLICARPO, quando a sua hora chegou a quase meio século depois...

Proxima Postagem...  Pais Apostólicos - Parte III - Policarpo de Esmirna (69 - 155).

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário