Clemente de Roma (30-100 d.C)
Várias hipóteses já foram levantadas sobre Clemente para identificá-lo. Para alguns, ele pertencia à família real. Para outros, ele era colaborador do apóstolo Paulo. Outros ainda sugeriram que ele escreveu a carta aos Hebreus. Em verdade, as informações a respeito de Clemente de Roma vão desde lendárias a testemunhas fidedignas. Alguns pais, como Orígenes, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo, Irineu de Lião, entre outros, aceitaram como verdadeira a identificação de Clemente de Roma como colaborador do apóstolo Paulo.
Não sabemos nada da juventude de Clemente. Só sabemos que era aluno e, mais tarde, companheiro e colaborador do apóstolo Paulo. O apóstolo fala deste colaborador na carta aos Filipenses (cap.4.3), escrita quando o apóstolo estava preso: “pois juntas (a Evódia e a Sintique) se esforçaram comigo no Evangelho, também com Clemente e os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no livro da vida.”
Clemente veio para Roma e vivenciou lá as primeiras perseguições dos cristãos. Viu eles serem queimados como tochas nos jardins do imperador Nero e, certamente, assistiu a morte de Pedro e Paulo, como mártires. Não demorou e ele tinha que cuidar da Igreja em Roma. Era uma época muito difícil e, às escondidas, Clemente assistiu os julgamentos de cristãos. Depois, consolou os condenados e os acompanhou em sua última caminhada. Ele fortaleceu a Comunidade cristã de Roma. Muitos foram condenados, e Clemente deu ordens para que sete homens da Comunidade fizessem relatos sobre estes mártires.
Em 96, chegou a notícia de que, em Corinto, a Comunidade estava prestes a se dividir. A Comunidade de Roma então pediu a Clemente escrever uma carta, insistindo na união dos cristãos. Esta carta ainda existe e, na época, a carta de Clemente, assim como as cartas de Paulo e Pedro, era conhecida na Igreja Cristã. Nela, Clemente também relata o martírio de Pedro e Paulo, em Roma.
| Clemente I. Por Tiepolo, na National Gallery de Londres. |
A principal obra de Clemente de Roma é uma carta redigida em grego, endereçada aos crentes da cidade de Corinto, mais ou menos no final do reinado de Domiciano (81-96 d.C) ou no começo do reino de Nerva (96-98 d.C). A epístola trata, principalmente, da ordem e da paz na Igreja. Seu conteúdo traz à tona o fato de os crentes formarem um corpo em Cristo, logo deve reinar nesse corpo a unidade, e não a desordem, pois Deus deseja a ordem em suas alianças. Traz, ainda, a analogia da adoração ordeira do Antigo Israel e do princípio apostólico de apontar uma continuidade de homens de boa reputação.
A Morte de um Mártir
Clemente foi preso no reinado de Trajano (99-117 d.C), Condenado a trabalhos forçados nas minas de cobre de Galípoli (península de uma cidade no noroeste da Turquia, na parte europeia.), converteu muitos presos e por isso foi atirado ao mar com uma pedra amarrada ao pescoço, tornando-se num mártir dos princípios da Cristandade.
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